domingo, 24 de abril de 2011

Só as mães são felizes,

Algumas pessoas ficam perplexas quando eu falo que não gosto da minha mãe.Quando eu estou de bom humor, apenas digo "Ah a gente não se dá muito bem", já nos dias ruins, "Aquela louca enjoada, não devia ser minha mãe", ouvindo isso a mandibula da galera vai até ao chão.Mas veja só, nem todas as mães gostam dos seus filhos, nem todas nasceram para serem mães, nem todas sabem ser mães., eu acho que meu caso se aplica na terceira opção.Ela nunca saberá como ser mãe.Tá certo que não me jogou numa lixeira ou em uma desova quando eu nasci, nem me abortou, mas também, poxa vida, não deveria ter aceitado o desafio de me criar contra sua vontade.
Se alguma alma viva estiver lendo isso, deve achar que minha mãe é o monstro das galáxias por eu estar falando assim dela.Mas ela não é.Ela era apenas uma adolescente enganada no passado por um playboyzinho, que em uma noite onde a camisinha furou ou faltou e a gozada foi esquecida de ter sido jorrada pra fora,acidentalmente me fez.Essa foi a primeira grande sacanagem que ela fez comigo, deixar o esperma vencedor do meu pai encontrar seu óvulo, desde aí meus amigos, foi só sacanagem com a minha pessoa.Ela nunca conversou comigo sobre nada, me tratou com indiferença sempre que pôde,os amigos e os namorados em primeiro lugar, dava presentes para satisfazer meu vazio, me criticava sempre que podia e eu só saia com ela se minha roupa estivesse a seu gosto.Chorei tantas vezes querendo um abraço dela em momento difícil.Então ela casou, sem perguntar ao menos o que eu achava do sujeito, houve umas crises financeiras que me abalaram também, ela dizia que eu era interesseira, mas tudo o que eu queria era o seu apoio emocional e não financeiro.Ela nunca me deu isso.Nem telefonar em epoca de vestibular fez.Moro em belém há quase 1 ano hoje e ela nunca liga perguntando se ainda respiro.
Depois de 19 anos, 500 brigas diárias,choros,gritos,coisas voando pela casa,proibições,humilhação,ela desistiu e resolveu ter outra filha.Não pela vontade ser mãe, mas sim pelo fracasso da minha criação.
A ester ( minha irmã) é uma tentativa de algo novo, de fazer a coisa certa, dela sentir uma relação mãe e filha de amor e cumplicidade.Uma tentativa de amor de ambas as partes.No começo, ela tinha medo que eu jogasse praga em sua grávidez, tanto que me contou no terceiro mês de gestação.Eu dizia que nunca olharia na cara da pequena que nasceria.Mas quando ela nasceu, ela me olhou com aqueles olhinhos apertados e puxadinhos, e eu senti pela primeira vez na vida, que algo realmente bom aconteceu comigo nesse dia.Minha mãe não gosta de mim, nem eu dela.Quando mas longe melhor. Mas devo confessar que ela me deu o melhor presente da minha vida,  A ESTER.


BY: Alexandrina Albet, que ama sua irmã ester.

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