Foi tarde, eu acho. Causou um tumulto em torno de sua vida depois de entregar a mim a mulher de seus sonhos. Quem não deve não teme. Aliás, eu quis inverter a situação. Naomy não estava em condições de seguir, jogou tudo aos quatro ventos e, quando percebi, já estava em transe pela overdose de álcool e cigarros caros. Era só mais um passo para sua morte.
Pela manhã, já não dormia até tarde. Acordava o mais cedo que conseguia e partia para a beira do rio, peregrinar atenção aos pescadores, fazia amizades com bêbados e marginais e partilhava do mesmo pedaço de pernil com os mendigos. Não me pergunte por que ela fazia isso, mas fazia sorrindo.
A tarde, andava sob o sol ardente sem proteção, deixava-lhe os raios tocarem sua pele a ponto de queimar. Ninguém mais em sua rua lhe era estranho, conhecia a todos desde seus quilos até suas manias e acabava por ali mesmo.
Quando o sol partia, Naomy juntava os flashes que lhe vinham a tona. E talvez, me implorasse para matá-la. Pois, as circunstâncias não era tão radicais, as conseqüências já não lhe estarreciam, nenhum veneno a matava, a rotina lhe consumira de um tédio aborrecente, nenhum amor lhe satisfazia, nem mesmo olhares estranhos lhe despertavam a vontade de desvendar-lhes, cair em tentação já não lhe chamava a atenção, o diabo a temia discretamente, tudo então se tornou normal demais, rotineiro demais, cansativo demais. Disparei o tiro.