A caixa de chocolates ainda está na geladeira. A mesma caixa de cerebração de onze anos juntos.
Ah, onze anos meu amor e acredite: eu ainda sinto o mesmo, só queria cuidar de você mas um pouco, sei lá, você parece tão cansado, você não é Deus, não carregue o mundo na costa.Queria ser melhor pra você, posso esquentar um leite?
No espelho do quarto há um bilhete "Você é a mulher da minha vida, apesar da vida sofrida, eu te amo tanto meu amor, vou morrer ao seu lado."
Ele vestiu seu calção, pegou a xícara com seu leite quente de todas as noites, deu uma golada, desejou boa noite a seus três filhos e foi se deitar.
Antes mesmo de deitar sentiu seu peito apertar forte, pensou ser a dor do stress de todo dia, meu deus, a dor não passava, consumiu o resto do corpo, consumiu a alma...
Estava no chão gelado do quarto, todos gritavam, para-médicos corriam e corriam, ela dizia desesperada:
" Não me deixa ! por favor meu amor! Não me deixa!" entre outras súplicas...
Ele ouvia tudo, mesmo inconsciente, queria poder explicar para ela que estava em outro ciclo, fazendo a passagem, outra dimensão, seria mas fácil se ela pudesse ver seu espirito tocando-a no ombro enquanto ela chorava.
O que aconteceu, ninguém irá saber. Seria sua hora ? Nascemos mesmo com os destinhos traçados?
Ou o destino quem faz somos nós? Destino, morte, vida ? O que é isso?
A dor. A única emoção que não usa máscara. É transparente. O que fica, é a dor e a saudade.
E o amor, talvez exista mesmo. Pois nem um homem será capaz de substituir ele. O cheiro das camisas penduradas, sua moto, o copo de leite, a sandália ao pé da cama, as crianças perguntando " onde está o papai?", o violão de sua carreira abandonada, o bilhete no espelho, o cheiro do seu corpo no lençol da cama,a maleta arrumada para outro dia de trabalho - de repente- o chão sumiu, ela viu-se caindo em um buraco negro, um buraco sem volta, a saudade que ela sente é a queda sem fim, sem chão, sem paradeiro, ela sente apenas seu corpo caindo em um vácuo que a suga para baixo.
Superar ? Talvez sim , talvez não. Na volta do enterro, um passáro sobrevoou sobre nós rumo ao horizonte, não precisa dizer quem era ... Fomos embora tristes e chorosos, mas nem um pouco desesperados.
Ela soube que um dia iria encontrar ele , no horizonte, voar ao seu encontro. Voar. Você. Amar.
Por: Ale para Alexandre Alberto, meu primo querido, descanse em paz.
Pra muitos a morte é vista como um monstro terrível, o qual jamais queremos encontrar. Mas como você disse é outro caminho, novas dimensões...
ResponderExcluirA dor da perda é cruel e as vezes parece não ter fim, mas não podemos viver pra sempre nesse nada, porque se for verdade a história de que existe um vida eterna, essa coisa terrestre que chamamos de vida não passa de um nada, e é nessas horas que eu tbm gostaria de cair no buraco negro e conhecer o definitivo, pq nesse vale pena fazer planos e sonhar sem ter medo de tudo acabar de uma hora pra outra com a morte que esperamos desde o primeiro dia no útero de mamãe.
Mas se as palavras conseguissem amenizar a dor, não existiria mas depressão...
Estou com você e te amo amiga s2